Manual do Expositor: Como Interpretar as Regras?
Entenda o manual do expositor, interprete regras de altura, recuo, elétrica e prazos de projeto para montar seu stand sem surpresas na feira.
Se você já contratou um espaço em feira e recebeu aquele PDF de 30 páginas chamado “Manual do Expositor”, sabe a sensação: parece um contrato de financiamento. Altura máxima, recuo lateral, prazo de envio de projeto, regras elétricas, proibição de materiais — tudo misturado num documento que, convenhamos, não foi feito para ser agradável de ler.
Mas é justamente ali que mora a diferença entre uma montagem tranquila e uma correria de última hora com multa no bolso. O manual do expositor é o documento que define o que pode e o que não pode no pavilhão, e quem ignora acaba pagando — literalmente — por isso.
Neste guia, a gente traduz os pontos mais importantes de um manual de expositor típico no Brasil. Se você já participou de feira ou está prestes a participar, esse texto vai economizar dor de cabeça.
O que é o manual do expositor e por que ele existe?
O manual do expositor é o regulamento técnico que a organizadora da feira (ou o pavilhão) entrega a cada empresa que compra um espaço. Ele estabelece regras de montagem, desmontagem, segurança, elétrica, hidráulica, comunicação visual e prazos. Existe por dois motivos práticos: garantir a segurança de todos dentro do pavilhão e manter um padrão mínimo de convivência entre stands vizinhos.
Cada feira tem o seu, mas a estrutura é parecida. Pavilhões como São Paulo Expo, Expo Center Norte e Transamérica Expo Center também publicam normas próprias que se somam ao manual da feira. É importante ler ambos.
Altura máxima e recuo: a regra que mais pega expositor de surpresa
A maioria dos manuais trabalha com uma altura livre (sem recuo) que varia de 3,50m a 4,00m. Acima disso, entra a tabela de recuo — um afastamento obrigatório das divisas laterais e de fundo, proporcional à altura que você quer alcançar.
Na prática funciona assim: se o pé-direito máximo sem recuo é 3,80m, você pode construir paredes até essa altura encostando na divisa do vizinho. Quer ir a 5,00m? Vai precisar recuar, por exemplo, 1,20m da divisa lateral. E esse recuo não é opcional — se o projeto não respeitar, ele volta reprovado.
Acabamento acima de 2,20m
Outro ponto que pega muita gente: acima de 2,20m, o acabamento da face voltada para o vizinho é responsabilidade do expositor. Ou seja, se sua parede lateral tem 3,80m, a parte de cima (de 2,20m até 3,80m) precisa ter acabamento na face que o vizinho enxerga — sem propaganda, sem logo, sem adesivo. Só acabamento limpo, compatível com o material do stand.
Prazos de envio e aprovação de projeto
Todo stand construído (ou seja, que não usa o sistema modular básico da organizadora) precisa ter o projeto aprovado antes da montagem. Os manuais costumam exigir envio em formato PDF ou JPEG, com plantas baixas, cortes, elevações e especificação de materiais.
O prazo de envio varia, mas gira em torno de 30 a 45 dias antes da feira. A organizadora analisa e retorna em 3 a 5 dias úteis, podendo pedir ajustes. Se o projeto não for aprovado a tempo, você simplesmente não monta — ou monta com restrições.
O que os manuais tipicamente exigem no projeto:
- Planta baixa com dimensões cotadas e posição de acessos
- Cortes longitudinal e transversal mostrando alturas
- Elevações de todas as faces visíveis
- Especificação de materiais (madeira, metalon, ACM, vidro)
- Planta elétrica com carga total em kW
- Indicação de pontos aéreos (quando houver estrutura suspensa)
- ART ou RRT assinada pelo responsável técnico
Regras elétricas: tensão, aterramento e carga
No Brasil, pavilhões de feiras operam majoritariamente em 220V. A maioria dos manuais proíbe expressamente o uso de equipamentos 110V sem transformador, e todas as tomadas precisam ter fio terra conectado. Ignorar isso pode resultar em desligamento do stand pela equipe técnica do pavilhão.
A carga elétrica total precisa ser declarada no projeto. Se você precisa de mais energia do que o pacote básico inclui (normalmente entre 5 kW e 10 kW), a contratação adicional deve ser feita com antecedência — e é cobrada à parte.
O que NÃO pode dentro do pavilhão
Os manuais são categóricos em algumas proibições que, no calor da montagem, a equipe pode esquecer:
- Fabricação de estruturas (corte de madeira, solda) dentro do pavilhão — peças devem chegar pré-fabricadas
- Uso de materiais inflamáveis sem certificação (especialmente tecidos e cortinas)
- Alvenaria, argamassa ou concreto — tudo precisa ser desmontável
- Perfuração do piso do pavilhão (parafusos, buchas, cola definitiva)
- Som alto que extrapole os limites do stand (medido em decibéis)
- Estruturas que bloqueiem saídas de emergência ou hidrantes
Estruturas aéreas e pontos de rigging
Se o seu stand prevê elementos suspensos — como testeiras altas, painéis de LED aéreos ou box truss — você vai precisar contratar pontos de rigging diretamente com a operadora do pavilhão. Cada ponto tem uma capacidade máxima de carga (geralmente entre 50 kg e 250 kg), e o cálculo estrutural precisa ser feito por engenheiro com ART.
Esse é um dos itens que mais impacta o orçamento quando não é previsto com antecedência. Os pontos têm custo unitário, prazo de reserva e limite por stand.
Horários de montagem e desmontagem
Os manuais definem janelas rígidas para entrada e saída de equipes e veículos. Montagem costuma começar entre 3 e 5 dias antes da abertura da feira, dependendo do porte. Desmontagem é mais curta — geralmente 1 a 2 dias após o encerramento.
Atrasos na desmontagem são multados. E veículos pesados (caminhões de cenografia, por exemplo) têm horários específicos para acesso ao pavilhão, fora dos quais simplesmente não entram.
Comunicação visual: o que pode e o que não pode
Alguns manuais restringem comunicação visual voltada para as ruas internas da feira acima de determinada altura. A lógica é evitar que um stand “tome” o espaço visual do vizinho. Testeiras e fachadas têm altura e projeção máximas definidas, e qualquer elemento que ultrapasse a área locada do stand é proibido.
Outro ponto: muitos pavilhões proíbem adesivação no piso das ruas da feira. Toda comunicação deve ficar dentro da área contratada.
Dica prática: como ler o manual sem surtar
Quem trabalha com cenografia e stands no dia a dia sabe que o manual é denso, mas o segredo é focar em cinco pontos antes de qualquer coisa:
- Altura máxima e tabela de recuo — define o que o projeto pode alcançar
- Prazo de envio e formato do projeto — define o cronograma do escritório
- Carga elétrica e tensão — define o que precisa ser contratado à parte
- Proibições de material e fabricação — evita retrabalho na montagem
- Horários de montagem e acesso de veículos — define a logística
Se a sua montadora já conhece o pavilhão, ela vai saber de cor esses pontos. Se é a primeira vez, peça para ela fazer a leitura técnica do manual junto com você — isso evita surpresas e custos extras.
Conclusão
O manual do expositor não é burocracia — é o mapa do jogo. Quem lê com atenção antes de começar o projeto sai na frente, evita reprovações e monta sem sustos. E se parecer complicado demais, lembre que é exatamente isso que uma montadora experiente faz por você: traduz o regulamento em projeto aprovável e montagem sem problema.
Tem uma feira chegando e quer garantir que o projeto do seu stand passe de primeira? Cola com a gente — a conversa é sem compromisso.
Equipe Atom Cenografia

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